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Campanhas políticasPor wha.tools28 de setembro de 20267 min de leitura

O PT é o partido mais seguido do Brasil no WhatsApp, com quase o dobro de seguidores do PL

A seis dias da eleição, o canal do PT no WhatsApp tem 36.413 seguidores, quase o dobro do PL de Bolsonaro. Na campanha, o PT publica umas cinco vezes por dia, muito vídeo, enquanto o PL posta duas vezes por semana e gasta quase tudo atacando o PT. Veja o ranking, o salto da campanha e o que cada canal manda de verdade.

O Brasil vai às urnas no domingo, 4 de outubro, e no WhatsApp um partido está bem na frente. O Partido dos Trabalhadores, o PT de Lula, tem 36.413 seguidores no seu canal oficial. O Partido Liberal, o partido de Jair Bolsonaro, tem 19.693. O PT está perto do dobro.

Foi aqui que o WhatsApp virou arma política. Em 2018 boa parte da campanha de Bolsonaro rodou em grupos e encaminhamentos em massa, e já escrevemos sobre como essa máquina funcionava. Oito anos depois, nos canais oficiais o quadro se inverteu: é a esquerda que tem o público maior, e é ela que o enche de conteúdo.

Acompanhamos os canais oficiais de WhatsApp dos partidos e lemos a contagem pública de seguidores em intervalos regulares. Os números de seguidores aqui são de 28 de setembro de 2026, e cada leitura está no conjunto de dados aberto. Os números de publicações e interação, mais abaixo, não estão. Eles vêm de termos acompanhado os dois canais durante a campanha, e explicamos no fim o quanto são aproximados.

O ranking

Temos 30 partidos brasileiros no cadastro. Só seis mantêm um canal nacional de WhatsApp que conseguimos encontrar.

Gráfico de barras dos partidos brasileiros por seguidores no canal de WhatsApp em 28 de setembro de 2026: PT 36.413, PL 19.693, Missão 17.796, PDT 830, União Brasil 673, PSDB 485. MDB, PSD, PP, Republicanos, PSOL, PSB e outros 18 partidos registrados não têm canal que tenhamos encontrado.
O PT tem quase o dobro de seguidores do PL no WhatsApp. Fonte: conjunto de dados aberto da wha.tools sobre os canais de WhatsApp dos partidos.
PartidoSeguidores no canal de WhatsApp
PT36.413
PL19.693
Missão17.796
PDT830
União Brasil673
PSDB485

Três canais pesam e três quase não aparecem. Depois de PT e PL vem o Missão, a menos de 2.000 seguidores do PL. Aí vem o abismo: PDT, União Brasil e PSDB ficam todos abaixo de mil.

A lista mais curiosa é a de quem não está no gráfico. MDB, PSD, PP, Republicanos, PSOL e PSB, partidos com bancadas grandes no Congresso, não têm canal oficial que tenhamos encontrado. Num país onde o WhatsApp é tão político, a maior parte do sistema partidário ainda não abriu o seu.

O salto da campanha

O canal do PT nem sempre esteve tão na frente. Em setembro de 2025 tinha uns 11.000 seguidores. Em 15 de agosto de 2026, véspera do início oficial da campanha, estava em cerca de 21.000. Seis semanas depois, está em 36.413.

Gráfico de linhas dos seguidores dos canais de WhatsApp do PT, do PL e do Missão, de meados de 2024 a 28 de setembro de 2026. O PT passa de cerca de 11.000 em setembro de 2025 para cerca de 21.000 em meados de agosto de 2026 e salta para 36.413 durante a campanha. O PL vai de cerca de 3.100 em junho de 2024 para 19.693. O Missão sobe de forma constante, de cerca de 2.500 para 17.796.
O PT ganhou cerca de 15.000 seguidores nas seis semanas de campanha, mais do que em todo o ano anterior. As leituras anteriores a setembro de 2026 vêm de cópias do Internet Archive e são arredondadas.

São uns 15.000 seguidores novos em seis semanas, alta de 73%, e mais do que o PT ganhou no ano inteiro antes disso. Foi a campanha. Seja o que for que o partido está fazendo no canal agora, as pessoas estão entrando para ver.

Sabemos menos sobre como o PL chegou aos 19.693. O histórico do canal dele é magro: o Internet Archive registra uns 3.100 em junho de 2024, e a nossa leitura seguinte é a de hoje. Cresceu muito em dois anos, mas não dá para dizer quando, então não vamos fingir que sabemos.

O que cada canal manda

A contagem de seguidores só mostra quem se inscreveu. O que decide se um canal importa é o que chega no WhatsApp dessas pessoas todo dia, então acompanhamos os dois canais ao longo de setembro.

O canal do PT é movimentado. Nestes dias manda umas cinco publicações por dia, muitas em vídeo, além de imagens e cards. Os posts trazem mensagem política e propostas concretas, e uma boa parte tem influenciadores e criadores de conteúdo na frente, não só dirigentes do partido. Isso é uma escolha. Um post com um criador na frente parece com o resto do que as pessoas recebem no celular, não com um release de imprensa. As publicações costumam juntar umas 200 reações cada, e as mais compartilhadas chegam a uns 400 encaminhamentos.

O canal do PL funciona de outro jeito. Publica umas duas vezes por semana. A maior parte do que manda é crítica ao PT: ataques ao governo e a Lula, mais do que o programa do próprio partido. Os posts ficam em torno de 110 reações em média, e isso vem caindo durante a campanha, para uns 90. Os encaminhamentos aguentam melhor, perto de 200 por post.

Esse último número merece uma segunda olhada. Para o tamanho que tem, o público do PL encaminha muito. Um post atacando o outro lado é o tipo de coisa que a pessoa repassa para o grupo da família, mesmo sem se dar ao trabalho de reagir. O encaminhamento foi o motor do WhatsApp bolsonarista em 2018, e o hábito parece continuar ali.

Fazendo a conta de padaria

Por seguidor, os dois canais não estão tão longe. Umas 200 reações para 36.000 seguidores e umas 90 para 20.000 dão, nos dois casos, algo perto de cinco reações por mil seguidores. O público do PL não está morto, e o do PT não é especialmente fiel.

A diferença é o volume. Com umas 35 publicações por semana e cerca de 200 reações cada, o canal do PT junta algo como 7.000 reações por semana. O PL, com dois posts e 90 reações, fica em algo como 180. São contas de guardanapo feitas com médias aproximadas, mas mesmo que a gente erre pela metade, o PT está gerando dezenas de vezes mais atividade no WhatsApp que o principal rival na reta final antes da votação.

A queda nas reações do PL em plena campanha é o detalhe estranho. Época de eleição deveria ser quando a base de um partido está mais animada. Pode ser cansaço com um canal que diz quase sempre a mesma coisa sobre o outro lado, ou pode ser que a energia do partido no WhatsApp esteja indo para outro lugar que não o canal oficial, como grupos e os números dos próprios candidatos. De fora não conseguimos ver isso, então não vamos chutar qual das duas.

Quem vem chegando: o Missão

O terceiro canal é o que vale acompanhar. O Missão, partido fundado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), tem 17.796 seguidores, menos de 1.900 atrás do PL. É o canal com o histórico mais longo nos nossos dados, e subiu quase sem pausa: uns 2.500 em meados de 2024, 7.000 no começo de 2026, 10.000 em junho e quase 18.000 agora. Só desde junho ganhou perto de 8.000 seguidores.

Se o ritmo se mantiver, o Missão passa o canal do PL em breve, talvez antes do segundo turno. Um partido novo ultrapassando o partido do ex-presidente no WhatsApp diria alguma coisa sobre para onde está indo a atenção da direita online.

Por que isso importa no Brasil

O WhatsApp está em quase todo celular do Brasil, e para muita gente é por ali que o conteúdo político chega, no grupo da família, do bairro, do trabalho. Um canal é uma das poucas formas de um partido publicar nesse mundo às claras, com o próprio nome, e ver o que manda ser encaminhado dali para a frente.

As táticas antigas também ficaram mais difíceis. A Meta apertou os sistemas antispam desde 2018, o que empurra os partidos para coisas que eles controlam e assinam, como um canal verificado. Qualquer organização pode criar um canal de WhatsApp, e não custa nada. O PT está mostrando como é levar um a sério, com posts diários, muito vídeo e gente que não é político. É o mesmo que vimos com o Die Linke na Alemanha, cujo canal cresceu mais perto de uma eleição e segurou os seguidores depois. Em poucas semanas vamos saber se o do PT faz o mesmo.

Como contamos

Os números de seguidores vêm da página pública de pré-visualização de cada canal, lida num calendário rotativo; os de 28 de setembro são exatos. Os pontos anteriores vêm de cópias do Internet Archive, que mostram contagens arredondadas ("21 mil" em vez do número exato), e alguns canais têm intervalos longos entre elas. Só contamos canais oficiais de partidos, e registramos quando não encontramos nenhum. Os dados de seguidores são abertos sob CC BY 4.0, e jornalistas podem usar os números e gráficos citando a wha.tools.

A frequência de publicação, as reações e os encaminhamentos são outra coisa. São valores aproximados, de acompanhar os canais do PT e do PL em setembro de 2026, não uma contagem sistemática post a post, e não fazem parte do conjunto de dados aberto. Leia como anotações de repórter, não como medições. Qualquer pessoa pode conferir abrindo os dois canais.